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sábado, 28 de fevereiro de 2015

EU CREIO QUE DEUS TRANSFORMA O HOMEM - LIÇÃO 9 JOVENS 2015

INTRODUÇÃOrev-jovens
I – A NECESSIDADE DE UMA TRANSFORMAÇÃO (Gn 1.26; 3; Rm 3.23)
II – O PODER TRANSFORMADOR DE JESUS (Lc 19.1-10)
III – A ATUAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NA TRANSFORMAÇÃO DO HOMEM (Jo 3.3; 2 Co 5.17)
CONCLUSÃO
COMO DEUS TRANSFORMA O HOMEM
ROMANOS 1.16

Na lição desta semana, estudaremos concernente à ação graciosa de Deus que transforma o ser humano. Muitos questionam de que forma isso seria possível. A resposta está no evangelho que é “o poder de Deus para salvação do homem que necessita da ação do Espírito Santo para ser uma nova criatura” (Rm 1.16; 2 Co 5.17,18). Antes de qualquer coisa, é necessário compreender que a humanidade carece de redenção. A natureza decaída do homem precisa ser redimida do pecado original, a fim de que se torne uma nova criatura, gerada pela palavra da verdade (Cf. Tg 1.18).
Desse modo, somente o conhecimento do amor de Deus é que pode levar o homem ao novo nascimento (Jo 3.3). Além do que, é a fé no sacrifício de Jesus Cristo, o Filho de Deus que derramou o seu sangue na cruz do calvário, que dá ao homem o direito de experimentar a graça transformadora do Espírito de Deus em sua vida. Portanto, amado professor, explique aos seus alunos que mediante o conhecimento de Cristo e a fé em seu ato redentor sobre a cruz, é possível experimentar o poder de Deus que transforma o homem em uma nova criatura. Enfatize que, devemos praticar o amor de Deus, pelo qual, somos aperfeiçoados em nossa caminhada cristã, pois isso nos levará à santificação. Tenha uma boa aula!

1. O evangelho é o poder de Deus para transformação do homem
A natureza humana encontra-se decaída, devido ao pecado original cometido por Adão e Eva. Por conta disso, o homem necessita da ação do Espírito Santo para torná-lo uma nova criatura e, assim, retornar a plena comunhão com o Criador. Todavia, para que isso fosse possível, era necessário que a culpa do pecado fosse removida do homem.
Nessa ocasião, a graça de Deus se manifestou por meio do evangelho, anunciando a remissão dos pecados mediante a fé no sacrifício de Cristo na cruz, ou seja, Cristo assumiu perante Deus a culpa dos pecados como o Cordeiro santo que tira o pecado do mundo, e torna o pecador sem culpa e justificado pela fé diante de Deus (Rm 4.4,5; 5.1). Assim sendo, o evangelho tem o poder de transformar a velha natureza humana em uma nova criatura, apta pra estar em comunhão com Deus.

No Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento, Laurence O. Richards comenta: “O termo grego para a palavra poder é dunamis. Ele não é, como alguns acreditam, uma força explosiva (dinamite) de Deus, mas uma inextinguível energia que permite que Ele faça uma transformação interior nos seres humanos.
O conceito subjacente da ‘salvação’ mantém nossa atenção focalizada em nosso interior. No Antigo Testamento, a ‘salvação’ era a libertação dos inimigos estrangeiros; mas no Novo Testamento ela representa principalmente a libertação do poder corruptor do pecado, e o temor de suas eternas consequências. Paulo talvez esteja esperando aqui que seus leitores também pensem no uso cotidiano dessa palavra no primeiro século, onde soteria significava ‘saúde, segurança, preservação’. O evangelho é o poder de Deus — poder que é transmitido a todos os que creem, para nos livrar das trágicas consequências de nosso pecado, e nos tornar espiritualmente sadios para sempre” (CPAD, 2007, p.290).
Assim, Deus se revela ao homem por meio da mensagem do evangelho, a “Palavra da Salvação”, a fim de transformar o coração humano e renová-lo à comunhão com o Criador.

2. O conhecimento do amor de Deus leva o homem ao novo nascimento
Em vista disso, muitos não compreendem como ocorre, ou mesmo não vivenciam a verdadeira transformação interior. Na verdade, essa mudança que chamamos de conversão, não pode ser compreendida do ponto de vista natural, mas é fruto da ação do Espírito Santo em convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo (Cf. Jo 16.7-11).
Nesse caso, o conhecimento da Palavra de Deus tem o poder de gerar na mente humana uma nova forma de pensar, e também uma mudança de comportamento. Isso se dá, a partir da compreensão do amor de Deus que, segundo o apóstolo João, se faz presente na vida daqueles que nasceram de novo: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4.7-10).
Portanto, somente por meio da fé no sacrifico vicário de Cristo na cruz do calvário, é possível ao homem experimentar da graça transformadora do Espírito de Deus em sua vida.

Considerações finais
Finalmente, podemos concluir que somente a ação do Espírito de Deus em nossas vidas, pode nos transformar em novas criaturas. E isso, o Senhor Deus realiza não porque merecemos, mas sim, por seu grandioso amor que tem para conosco.
Visto que Deus não permitiu que a principal obra da sua criação continuasse perdida e sem direção. Para restaurar o homem, Deus enviou o seu Filho amado a este mundo, a fim de se entregar a morrer na cruz do Calvário “para que todo aquele que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Cf. Jo 3.16). Dessa forma, a regeneração no interior do homem tornou-se possível, pois a Palavra da verdade produz a transformação de que o ser humano precisa para ser uma nova criatura.
Portanto, que possamos compreender que somos transformados pelo amor de Deus que Ele nos dá a conhecer, para que da mesma maneira também possamos amar ao nosso semelhante. “Amados, se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros” (1 Jo 4.10).

Por Thiago Santos
Educação Cristã.
Publicações. CPAD.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O PROPÓSITO DA TENTAÇÃO - LIÇÃO 02 JOVENS E ADULTOS 3º TRIMESTRE 2014


Por Thiago Santos  





INTRODUÇÃO  
I – O FORTALECIMENTO PRODUZIDO PELAS TENTAÇÕES (TG 1.2, 12)
II – A ORIGEM DAS TENTAÇÕES (TG 1.13-15)
III – O PROPÓSITO DAS TENTAÇÕES (TG 1.3, 4, 12)
 
A MATURIDADE CRISTÃ ADQUIRIDA ATRAVÉS DAS PROVAÇÕES. TIAGO 1.2-18.
 A vida cristã é um caminho de aprendizado constante onde as experiências, adquiridas em nosso relacionamento com Deus, nos fazem entender as limitações e fragilidades encontradas em nossa natureza humana. Quando somos confrontados em meio às provações, sentimos as nossas fraquezas de forma que rejeitamos a autoconfiança e nos tornamos mais dependentes de Deus. Em seu discurso epistolar, Tiago observa a deficiência humana frente às tentações e admoesta aos cristãos que se alegrem quando forem acometidos de alguma tentação “sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência” (Tg 1.2-3). Nesse contexto, é importante compreendermos a concepção que a igreja da dispersão tinha em relação às tentações. A exortação de Tiago vem esclarecer a mente dos fiéis e aponta para o bom resultado trazido pelas “aflições deste tempo presente” citadas por Paulo (cf. Rm 8.18; Tg 1.12). O cristão precisa compreender os benefícios adquiridos através das dificuldades e de que forma Deus os utiliza para o crescimento e amadurecimento na fé.

Primeiramente é importante enfatizar que há uma diferença entre a “tentação” (gr. peirasmos) e a “tentação” (gr peirazõ) conforme afirma Roy B. Zuck em sua obra Teologia do Novo Testamento (CPAD, 2008, p. 462). A primeira designação nos faz entender a tentação como algo positivo ao crescimento espiritual do crente, isto é, Deus prova os seus servos para o bom aperfeiçoamento da fé (cf. Hb 11.17; Tg 1.2-4). A segunda expressão denota a tentação que vem para desviar o crente da verdade, isto é, a concupiscência da carne que atrai e engoda, e que é incitada por Satanás (Tg 1.14-15; Mt 4.2-10; 1 Ts 3.5). Portanto, a tentação é uma realidade incontestável e, por isso, Tiago exorta a respeito do seu bom resultado na vida cristã.

Os fiéis da dispersão sentiam certo receio por conta das adversidades e também temiam passar por alguma “provação”, pois tinham uma concepção equivocada de que isto significaria o mesmo que uma repreensão divina para atingir a “perfeição”. Na verdade, o que o meio irmão do Senhor descreve é a respeito da bem-aventurança de sermos provados, pois isso evidencia que somos verdadeiramente gerados pela palavra da verdade, para sermos “como primícias das suas criaturas” (cf. Tg 1.12,18). A carta escrita por Tiago tem como objetivo resgatar à obediência aqueles que estavam se desviando do Caminho e precisavam reassumir o compromisso com a Palavra da Verdade. Portanto, Deus, através das provações, não tem a intenção de levar o crente ao pecado, e sim ao crescimento espiritual que caracteriza e autentica a fé. Dessa forma, ao atravessar as tentações sendo pressionado pelas adversidades, o cristão pode contar com o fortalecimento que Deus traz sobre ele mediante cada dificuldade, resultando em amadurecimento e consistência para a fé.

Em segundo lugar, é importante considerar que a origem da tentação não está em Deus, “pois Deus a ninguém tenta. Mas cada um é tentado quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (Tg 1.13,14). O que nos faz entender que a natureza humana está em constante conflito em nosso eu interior, “esperando a adoção, a saber, a redenção do corpo” (Rm 8.23). De fato, a concupiscência presente na natureza humana impulsiona os desejos humanos a pecar contra o Criador, ao que Tiago exorta: “Não erreis, meus amados irmãos” (v. 16). Sendo assim, o cuidado pessoal do crente é fundamental neste processo para que o engodo do pecado não venha sobrepor o comprometimento com a prática da Palavra de Deus. (Tg 1.14,18).
 
Finalizando, o cristão precisa compreender os benefícios adquiridos através das dificuldades e de que forma Deus as utiliza para o crescimento e amadurecimento na fé. A maturidade cristã é adquirida também através desse processo, levando o crente a perseverar em seu compromisso com a verdade (Tg 1.5-8). Tiago leva-nos a entender que o caráter cristão é desenvolvido mediante as adversidades, tal como podemos observar na galeria dos heróis da fé (cf. Hb 11). Assim, podemos definir “maturidade cristã” como uma concessão divina que molda-nos a fim de que saibamos como nos comportar mediante as provações de forma adequada à Palavra da Verdade, adquirindo o conhecimento necessário para o desenvolvimento do caráter cristão. Sabendo isto: a paciência é resultado de uma fé provada e aprovada, e de uma vida que reconhece a plena dependência da providência de Deus (Tg 1.2-4) e entende que o amadurecimento cristão é fruto de um constante relacionamento com Deus onde não há espaço para oscilação. Dessa maneira, somos convidados a ter um firme compromisso com Deus “que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto” o que lhe pedimos. Pois “toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes em quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1.5-8,17). 

sábado, 5 de julho de 2014

FÉ QUE SE MOSTRA PELAS OBRAS - LIÇÃO 1 - JOVENS E ADULTOS - 3º TRIMESTRE 2014


Por Thiago Santos
INTRODUÇÃO
I – AUTORIA, LOCAL, DATA E DESTINATÁRIOS (Tg 1.1)
II – O PROPÓSITO DA EPÍSTOLA DE TIAGO
III – ATUALIDADE DA EPÍSTOLA
SOBRE A PRÁTICA DA PALAVRA DE DEUS: TIAGO 1.22.
 
A Epístola Universal de Tiago apresenta a exortação do líder da Igreja em Jerusalém a todos os cristãos da “dispersão”, a guardarem a fé no Deus único e verdadeiro e a não esmorecer na prática da verdade, vivendo de forma que o relacionamento íntimo da nova aliança com Deus seja firmemente mantido. Os aspectos considerados nesta Carta são importantes para uma fé íntegra e edificada sobre o compromisso ético e moral da Palavra de Deus. A prática da justiça evidencia a qualidade de nossa fé no Deus verdadeiro, ao mesmo tempo em que aprova a integridade de vida cristã demonstrada por seus servos.
 
A autoria da carta data de aproximadamente 49 d.C., e vem nos ensinar a respeito do exercício da fé baseado na Palavra de Deus e o desafio de agir de acordo com essa mesma Palavra. Segundo o teólogo Timothy B. Cargal, o nome de Tiago conhecido como “o Justo”, ou “Iakobos”, em grego, é uma transliteração do conhecido nome hebraico do Antigo Testamento “Jacó”. Conforme a tradição aceita pela Igreja, este é o irmão de Jesus (Mc 6.3; Gl 1.19) que se tornou líder da Igreja em Jerusalém (At 15.13; 21.18; Gl 2.9). Embora não haja indícios da biografia de Tiago, pois o mesmo não cita referências pessoais, esta é a identificação mais aceita a respeito da autoria desta carta. Destinada à igreja dispersa não só em Israel, mas em todo o mundo, pois usa a expressão às “das doze tribos em dispersão”, a carta exortava os crentes ao cumprimento da Palavra de Deus e a buscar a sabedoria que vem do Alto, atitudes que aparecem igualmente nos escritos paulinos no tocante ao “fruto do espírito” (Gl 5.22,23). A carta trata de assuntos corriqueiros do dia a dia da vida cristã, sendo este um dos pontos que a torna bem significativa para os dias atuais.
 
Tiago aprofunda o seu discurso na questão comportamental tendo como finalidade resgatar os crentes a uma conduta onde os valores éticos e morais da vida cristã devem ser praticados por aqueles que têm o testemunho de Cristo em seus corações. Os leitores de Tiago percebiam que o caráter cristão era antagônico aos preceitos e valores mundanos que imperavam na sociedade em que eles estavam inseridos. Tal conhecimento da Palavra levaria os destinatários da epístola a permanecer firmes na verdade, desviando-se do mal e buscando em Deus a sabedoria necessária para evitar o erro. Isso os conscientizava de que Deus se agrada daqueles que são confiantes na sua misericórdia e não são “inconstantes em todos os seus caminhos” (Tg 1.8), pois “segundo a Sua vontade, Ele nos gerou pela Palavra da Verdade para que fôssemos como primícias das suas criaturas” (v.18). 
 
Para entendermos melhor o contexto da Carta de Tiago, torna-se interessante esboçarmos os assuntos em que o escrito foi produzido: “A primeira unidade (1.2-21) desenvolve suas preocupações mais amplas a respeito da crença de seus leitores em relação à natureza do relacionamento entre Deus e os cristãos. Ele os encoraja a confiar em Deus para alcançarem a sabedoria de que necessitam, ao invés de procurarem aprendê-la através de suas respostas às dificuldades da vida. Na segunda unidade (1.22-26), Tiago começa a focar o diagnóstico do problema. Mostra-lhes como suas ações revelam que realmente lhes falta sabedoria (cf. 1.5), e novamente enfatiza que qualquer forma de crença, que não resulte em obras consistentes com a vontade de Deus, não poderá proporcionar vida espiritual (2.14,26). Na terceira (3.1-4.10) e na quarta unidade (4.11-5.20) trata da responsabilidade dos leitores por suas próprias ações e pela vida espiritual dos semelhantes, respectivamente (CARGAL, Timothy B., Tiago. In, ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp.1659-60).
 
A vida cristã encontra uma série de situações intrigantes como o problema da tentação, do pecado, da natureza humana, do cuidado com a língua, da paciência nas provações e muitos outros assuntos tratados nesta epístola que são pertinentes para a igreja atual. O Caminho da Graça deve ser percorrido de forma que o comportamento cristão seja a própria expressão e pregação da Palavra de Deus no viver diário. Tal desafio encontra-se na prática de uma fé que leva a uma ação contundente com aquilo que se acredita ser a “vontade de Deus”. É importante compreendermos que neste cenário contemporâneo em que a igreja está inserida, a moral, a ética cristã, as verdades bíblicas e os valores cristãos estão sendo colocados à prova em um mundo onde predomina a maldade e a escassez do amor ao próximo (Mt 24.12).

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O LIVRO DE ÊXODO E O CATIVEIRO DE ISRAEL NO EGITO - LIÇÃO 1 - 1º TRIMESTRE 2014 - JOVENS E ADULTOS

Imagem do site: www.apazdosenhor.org.br

INTRODUÇÃO  

I. O LIVRO DE ÊXODO 

II. O NASCIMENTO DE MOISÉS 

III. O ZELO PRECIPITADO DE MOISÉS E SUA FUGA  

CONCLUSÃO   

A peregrinação do povo de Deus  

A peregrinação dos patriarcas e a do povo de Israel antecipam o chamado à peregrinação da Igreja    

Por Cesár Moisés   

Tentar escrever exegeticamente sobre o livro de Êxodo em tão sucinto espaço seria irresponsável. Analisá-lo teologicamente, nessa mesma dimensão espacial é, igualmente, uma tarefa impossível. Para uma leitura aprofundada sobre o Êxodo, indico, da CPAD, duas excelentes obras: História de Israel, de Eugene H. Merrill e, Tempos do Antigo Testamento, de R. K. Harrison. Ambas são fundamentais para se entender o contexto social, político, cultural e religioso da formação de Israel. Não obstante o fato de os meus objetivos serem modestos, cansado de ser óbvio, inicio essa reflexão disposto a andar por caminhos não antes palmilhados e radicalmente viscerais. E não o faço por qualquer outro motivo senão o de valorizar o relato da peregrinação de Israel durante quatro décadas pelo deserto, e o que tal trajetória significa, metaforicamente, para nós que cremos, e que, por isso mesmo, “andamos por fé e não por vista” (2Co 5.7). 

Abraão — O peregrino paradigmático 

Apesar do grande historiador romeno das religiões, Mircea Eliade, ter provado que o tempo linear não é uma invenção dos judeus e das religiões chamadas proféticas (judaísmo, cristianismo, islamismo), pois tal noção já era conhecida pelo zoroastrismo persa, não se pode ignorar que a decisão de Tera em sair de sua terra para Canaã, apesar de interrompida por causa de sua morte, pôde ser continuada através de seu filho Abrão (Gn 11.31,32). Tal decisão em busca de viver algo diferente do que havia em Ur, é uma forma de romper com o fatalismo do tempo cíclico, ou do eterno retorno, que matinha todos os povos da antiguidade numa imobilidade mórbida, apenas esperando o que o “destino” reservava a cada um, isto é, nada podia ser mudado, tudo seria como sempre foi em um ciclo milenar. 

Se o plano pessoal do patriarca não era residir em Canaã, e sua saída de Ur se deu apenas para seguir Tera, o fato é que após a morte de seu pai em Harã, Deus aparece a Abrão e lhe chama, encorajando-o a prosseguir a viagem (Gn 12.1-9 – Raciocínio diferente encontra-se em Atos 7.2-4). A autorrevelação divina instaura, para Abrão, a possibilidade de romper a “roda” fatalística. Ao menos para ele, pela primeira vez, aparece a possibilidade de ter contato com uma divindade não material como as que seu pai adorava (Js 24.2). Uma divindade que não se circunscrevia a um local, pois não pertencia a religião alguma. Como podia ele, em meio a um panteão de deuses, saber, com certeza, que a divindade que se revelara era o “verdadeiro Deus”? Abraão não sabia, ele creu (Gl 3.6). Por isso, Paulo afirma que todos os creem são “filhos de Abraão” e que, portanto, “aqueles que têm fé são os abençoados junto com Abraão, que acreditou” (Gl 3.7-9).
 
Essa única promessa que instruiu Abraão, também foi repetida a Isaque, fazendo este peregrinar (Gn 26.1-25). Posteriormente a promessa foi estendida a Jacó que, por sua vez, também peregrinou (Gn 28.10—50.26). Inseridos no Egito através de José, as setenta pessoas da família de Jacó — já tornado Israel —, transformaram- -se em um populoso contingente, conhecido como “hebreus” (Gn 40.15; 43.32; Ex 1.16; 2.6). Este numeroso povo também permaneceu instruído, durante longos 430 anos, por essa única promessa dada pelo Senhor aos patriarcas (Gn 50.24,25; Ex 13.19; Hb 11.22). 

O reino de sacerdotes peregrinos 

O último estágio da peregrinação a ser aqui sucintamente considerado, subdivide-se em três períodos de quatro décadas cada um compreendendo os 120 anos da vida de Moisés, o principal protagonista do Êxodo (At 7.23,30; Ex 16.35; Dt 34.7). Na primeira fase, Moisés troca a estabilidade de quatro décadas no Egito pela incerteza de outras quatro décadas no deserto de Midiã que constituiu a segunda, e decisiva, fase de sua vida (Hb 11.23-26). Nos quarenta anos finais de sua trajetória, Moisés foi provado até as últimas consequências, tendo finalmente a “recompensa” de apenas contemplar a Terra Prometida (Dt 34.1-4). 

A questão a destacar, e que parece não ter sido entendida, é que Deus não chamou o povo de Israel para exercer um papel hegemônico e imperialista sobre as demais nações. A promessa dEle a Abraão foi de que através da descendência do patriarca todas as famílias da Terra seriam benditas (Gn 12.3). Justamente por isso Deus disse a Moisés que uma vez que toda a Terra era propriedade dEle, se os israelitas ouvissem a sua divina voz e guardassem a sua aliança, eles seriam um reino de sacerdotes e uma nação santa (Ex 19.5,6). Como se sabe, Israel não entendeu esse papel a ser desempenhado e confundiu responsabilidade com privilégio, representatividade com regalia e bondade divina com mérito pessoal. O resultado foi o cativeiro e o desterro.

Não obstante a falha do Povo Escolhido, Paulo diz que “tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” (Gl 3.8). Todos os que, pela fé, creem no Evangelho, são filhos de Deus e descendentes do crente Abraão: “Não há mais diferença entre judeu e grego, entre escravo e homem livre, entre homem e mulher, pois todos vocês são um só em Jesus Cristo. E se vocês pertencem a Cristo, então vocês são de fato a descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa” (Gl 3.28,29). Isso, mais uma vez, é preciso advertir, não significa privilégios, mas responsabilidades; não visa uma teologia da substituição, mas um dever sacerdotal. Como afirma o apóstolo Pedro: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós que, em outro tempo, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia” (1Pd 2.9,10). 

Para não concluir 

Mais do que conhecimento histórico e informações geográficas sobre o Êxodo, acredito que a grande lição desse trimestre é compreender o caráter transitório dessa nossa realidade. Aprender a contentar-se com o ordinário e não viver à cata de milagres, alegrar-se com a porção diária sem lamentar por não ter mais do que realmente precisamos, não ver-se como privilegiado, antes desapegar-se de tudo aquilo que — todo o mundo sabe — não nos acompanhará além do que a nossa peregrinação terrena permite. Tal deve ser assim se realmente queremos que a ética do Reino de Deus prevaleça em, e através de, nós (Mt 5—7). Isso significa, como afirma Carlos Mesters, transformar numa unidade a “vida vivida” e a “palavra escrita”. Mas para isso, é necessário entender que “mudando-se a vida, muda- -se o sentido do escrito para a vida, mudando-se o sentido do escrito, abre-se um novo sentido para a vida” (Por trás das Palavras, p.136). 

Segundo o mesmo autor, era assim que os primeiros crentes em Jesus testemunhavam aos judeus. “Dizendo que Cristo estava neste ou naquele texto vétero-testamentário, os cristãos questionavam a vida dos judeus, pois queriam levá-los ao reconhecimento de uma nova dimensão neste ou naquele setor da vida”. O mais lamentável é que os “judeus, da sua parte, negando o princípio que sempre os guiou na releitura e na reinterpretação do Antigo Testamento, ao longo de toda a sua história, fechavam-se dentro da letra e queriam impor o livro à vida. Em nome desse mesmo Antigo Testamento, não queriam aceitar a nova dimensão cristã da vida e se defendiam contra ela” (Ibid., p.137). 

Em “êxodo permanente”, isto é, em trânsito constante, é preciso que entendamos que “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). Valores que podem e devem ser vividos, exemplificados e expostos à sociedade através de nossa existência. Conquanto a realidade perpétua desses valores, em nossas vidas e em tudo que nos cerca, só será possível com a completude do Reino através da intervenção de Cristo, uma pálida demonstração deles é o suficiente para inspirar a sociedade e levá-la a uma transformação. O contrário desse sacerdócio é religiosidade estéril, e disso mundo está “cheio”. 
 

Artigo extraído da edição 57 da Revista Ensinador Cristão
O LIVRO DE ÊXODO
Título
Êxodo.
Autor
Moisés.
Data e local
Aproximadamente 1450—1410 a.C. Foi escrito no deserto, durante a peregrinação de Israel, em algum lugar da península do Sinai.
Propósito
Registrar os acontecimentos da libertação de Israel do Egito e seu desenvolvimento como nação.
Estrutura
I. Israel no Egito (1.1— 13.20).
II. Israel no deserto (12.1—18.27).
III. Israel no Sinai (19.1— 40.38).
Lugares-chaves
Egito, Gósen, rio Nilo, Midiã, mar Vermelho, península do Sinai e monte Sinai.
Características
Relata mais milagres do que qualquer livro do Antigo Testamento.
Versículo-chave
Êxodo 3.7,10.
Pessoas-chave
Moisés, Faraó, Miriã, Jetro, Arão.
Lugares-chave
Egito, Gósen, rio Nilo, Midiã, mar Vermelho, península do Sinai e monte Sinai.
    
 

COMO SURGIU A IGREJA - LIÇÃO 01 JUVENIS - 1º TRIMESTRE 2014


Texto Bíblico: Atos 2.1-4, 37-47.



10 RAZÕES PARA SE ESTUDAR A HISTÓRIA DA IGREJA  

Prezado professor, você iniciará o ano de 2014 ensinando os alunos acerca de um tema importante: A HISTÓRIA DA IGREJA. Compreender como chegamos à forma atual em que conhecemos a Igreja, é fundamental para compreendê-la. Mas, por que estudar essa história? Existem razões concretas para isso? O historiador eclesiástico James L. Garlow, dá pelo menos 10 razões para estudarmos a história da Igreja:   

1. A história da Igreja nos dá entendimento. Como chegamos até aqui? Um estudo do drama responde esta pergunta. Estudar a história pode torná-lo sábio, ainda que você não tenha cabelos grisalhos ou rugas. 

2. O estudo da história lhe apresenta novos amigos. Onde mais você encontraria Agostinho, João da Cruz, Martinho Lutero, John Wesley ou Charles Finney? Apenas quando investiga o drama, você os encontra. 

3. Você toma consciência do preço que foi pago por você! 

4. Você pode evitar as armadilhas e as terras minadas da história. Diz-se que quem não é um estudioso da história está condenado a repetir os mesmos erros. Não se estuda a história para exaltar a tradição. De fato, a tradição não pode escravizar. Como Richard Halverson declara: “A tradição pode ser perigosa. Ela pode não só modificar a verdade, como também substituí-la totalmente”. O estudo da história nos ensina quais tradições estão desaparecendo, quais precisam ser evitadas, e quais são tão cruciais que devem ser preservadas a todo custo.  

5. O estudo da história melhora a nossa eficácia. Você saberá o que funcionou, o que foi efetivo. Mark Shaw disse tudo isto no título de seu livro “Dez Grandes Ideias Tiradas da História da Igreja”. Você pode e deve aprender com a história da igreja.  

6. A história aumenta a nossa tolerância. Você é encorajado a perseverar quando sabe o que aqueles que vieram antes de você toleraram.   

7. A história o inspirará. A informação pode orientá-lo, contudo, a inspiração o faz persistir. O estudo da história pode inspirar. Tenho esperanças de que este o inspire.  

8. A história traz à vida quem está morto. Meu amigo, Harold Ivan Smith, costuma dizer: “Nenhuma pessoa está morta enquanto alguém continua mencionando o seu nome ou contando as suas histórias”. As figuras históricas vivem de novo enquanto narro estes dramas.    

9. O estudo da história torna-o humilde ao ajudá-lo a entender que havia vida antes de você nascer. John Wesley disse certa vez a Adam Clarke: “Se tivesse de escrever a minha vida, começaria antes do meu nascimento”. Quando perguntei a um amigo por que ele deixara uma igreja recém-formada para juntar-se a uma tradicional, com longa herança, ele respondeu: “Porque eu queria pertencer a algo que já existia em 1900!”.  

10. O estudo da história lhe permite viajar sem sair de sua cadeira favorita. Enquanto você lê estas páginas, visita dúzias de nações, muitas casas, igrejas, escolas, palácios – tudo sem sequer sair de casa. Faça uma boa viagem. 

sábado, 13 de julho de 2013

ESPERANÇA EM MEIO A ADVERSIDADE - LIÇÃO 02 JOVENS E ADULTOS 3º TRIMESTRE 2013

Imagem: apazdosenhor.org

INTRODUÇÃO

I. ADVERSIDADE: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO
II. O TESTEMUNHO DE PAULO NA ADVERSIDADE (1.12,13)
III. MOTIVAÇÕES PARA A PREGAÇÃO DO EVANGELHO (1.14-18)
IV. O DILEMA DE PAULO (1.19-22ss)

CONCLUSÃO

Exemplos de caráter na vida do cristão
Exemplo é uma ação visível que estabelece paradigmas. Em relação à obra de Deus, há paradigmas que precisam ser estabelecidos a partir de exemplos que falam por si só. Por isso, na lição deste domingo, o prezado professor deve enfatizar os exemplos que se esperam na vida dos crentes e, particularmente, na dos ministros em exercício.

Exemplo pessoal
A mídia tem divulgado centenas de maus exemplos a respeito do caráter humano, criando uma falsa sensação de que o exemplo de caráter ilibado não existe mais. Numa perspectiva popular, o caráter expressa a integridade pessoal, a firmeza de atitudes, as qualidades morais e outros adjetivos. Quando a mídia divulga exemplos contrários aos atributos citados, estabelece-se uma sensação de ceticismo em relação ao caráter de uma pessoa, pois não são poucos os casos de corrupção entre líderes políticos, religiosos, empresariais, etc.

O apóstolo Paulo sabia que suas ações poderiam influenciar tanto positiva quanto negativamente as vidas das ovelhas. O apóstolo dos gentios tinha a ciência que qualquer falha de caráter poria em cheque o seu apostolado e a sua pregação. Ou seja, a motivação para se pregar o Evangelho não poderia ser outra que: amor pelas pessoas que não confessam a Cristo como o seu Senhor e Rei.

Uma das tentações no exercício da pregação é a Soberba. Contra ela Paulo afirma que “estão sem entendimento” (2 Co 10.12) os que louvam a si mesmo, medem a si mesmo e se comparam a si mesmo. O exemplo paulino denota que o conhecimento e a eloquência longe da obediência de Cristo (2 Co 10.5) corrompe o caráter , este uma vez corrompido, nunca mais será recuperado. Na perspectiva cristã o bom caráter chega a ser mais importante que bens materiais (Pv 22.1 ) e a ordenança de Cristo é que aonde estivermos, sejamos autênticos servos de Deus para gozarmos de suas bênçãos (Mt 25.23). O exemplo pessoal de quem está pregando o Evangelho, manifestará a sua integridade ou denunciará a sua corruptibilidade.

Reflexão:

“O caráter nunca é comprovado por uma declaração escrita ou oral de convicções. É demonstrado pelo modo como vivemos, pelo comportamento, pelas escolhas e decisões. Caráter é a virtude vivida” (Manual do Pastor Pentecostal: Teologia e Práticas Pastorais. Rio de Janeiro, CPAD, p. 115.)

sábado, 6 de julho de 2013

LIÇÕES BÍBLICAS 3º TRIMESTRE LIÇÃO 01


PAULO E A IGREJA DE FILIPOS - LIÇÃO 01 JOVENS E ADULTOS - 3º TRIMESTRE 2013

 
 

INTRODUÇÃO

I. INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA
II. AUTORIA E DESTINATÁRIOS
III. AÇÃO DE GRAÇAS E PETIÇÃO PELA IGREJA DE FILIPOS (1.3-11)

CONCLUSÃO

FILIPENSES

Autor
Poucos questionam a afirmação de que Paulo escreveu esta carta. Em 135 d.C., um bispo, chamado Policarpo, declarou a convicção cristã que aceitava a autoria paulina. Internamente, a carta também contém as características de escrita de Paulo. Além disto, o manuscrito mais antigo que contém a Epístola aos Filipenses (o Chester Beatty Papyrus P, copiado em aprox. 200 d.C.), contém a mesma forma da carta que temos hoje em dia.

Embora a autoria da carta seja indiscutível, acadêmicos discutem a sua data e também o local em que ela foi escrita. (Deve-se notar que, embora as duas questões tenham importância histórica, nenhuma delas constitui uma grande ameaça à integridade da carta.) O local tradicional para a origem de Filipenses é Roma, e a sua data tradicional é aproximadamente 61-62 d.C. Nada torna esta data implausível. Outras sugestões para o local da escrita incluem Éfeso (aprox. 55 d.C.) e Cesareia (aprox. 58 d.C.), embora haja pouca evidência que comprove qualquer das duas hipóteses. Em Filipenses, o apóstolo Paulo diz-se prisioneiro (1.13,14), contudo não temos evidência que mostre que ele estivesse preso em Éfeso. Por outro lado, Paulo esteve aprisionado em Cesareia (58-60 d.C.). Mas, novamente, é insuficiente a evidência que aponta para este local como a prisão de onde ele escreveu esta carta. Em última análise, os argumentos em favor do local e da data tradicionais são preferíveis.

A confiabilidade de Filipenses
Apesar da autoria paulina, muitos questionaram a integridade da carta. Ela é um documento unificado, ou são dois ou três documentos entrelaçados em um? Os argumentos em favor de múltiplas fontes basicamente alegam variações no estilo da escrita e supostas variações em conteúdo. Por exemplo, alguns acadêmicos argumentam que 3.2―4.1 não se encaixa nos padrões estabelecidos pelo restante da carta, com seu tom rude e sua censura enérgica (que chega a ser considerada injuriosa). Eles propõem que talvez esta fosse uma carta diferente, inserida em Filipenses.

Duas observações são úteis aqui. Em primeiro lugar, os oponentes do apóstolo negaram o Evangelho também asperamente, criticando o apostolado de Paulo. Paulo respondeu energicamente a tais questionamentos (cf. 2 Co 10―12). Em segundo lugar, Paulo não pôde responder pessoalmente à ameaça iminente, por isto a carta é franca, revelando avaliações e pensamentos íntimos. Indicando o seu relacionamento, o apóstolo também instruiu os seus leitores originais, apelando para a sua peregrinação espiritual.

Outros acadêmicos sugerem que 4.10-20 é uma inserção, supondo que tão importante nota de agradecimento não deveria ser postergada até o final. Contudo, os leitores modernos devem tomar cuidado ao criticar as formas de escrita do século I ou conjeturar sobre elas. Além disto, o apóstolo incluiu, naturalmente, as outras expressões de apreciação antes de passar para as questões financeiras. Todas as formas de apoio eram igualmente apreciadas.

As questões sobre integridade literária da carta levantam uma questão mais crucial. Os acadêmicos contemporâneos são mais capazes de detectar supostas emendas no tecido da carta do que puderam detectar os seus primeiros leitores? Considerando o cuidado que nós sabemos que caracterizou a transmissão das Escrituras, as teorias sobre fragmentos literários apresentam muito mais dificuldades do que parecem resolver.

Texto extraído da Bíblia de Estudo Defesa da fé, editada pela CPAD

CONHECENDO DEUS - LIÇÃO 01 JUVENIS - 3º TRIMESTRE 2013


Texto Bíblico: Isaías 44.6-8; 43.10

DEUS E SUA EXTRAORDINÁRIA SOBERANIA

O que descobrimos quando lemos a Bíblia como um todo singular e unificado, com a mente alerta para observar seu foco real?

Descobrimos simplesmente isto: A Bíblia não é prioritariamente sobre o homem. Seu tema é Deus. Ele (se a frase for permitida) é o ator principal da história no drama, o herói da história. A Bíblia é uma visão factual do seu trabalho nesse mundo – passado, presente e futuro, com comentários explanatórios de profetas, salmistas, sábios, e apóstolos. O seu tema principal não é a salvação do homem, mas a obra de Deus vindicando seus propósitos e glorificando-o num cosmos pecaminoso e desordenado. Ele faz isto estabelecendo o seu reino e exaltando o seu filho, criando um povo para adorá-lo e servi-lo, e enfim, desmantelando e reagrupando esta ordem de coisas, erradicando o pecado deste mundo.

É dentro desta larga perspectiva que a Bíblia ajusta a obra de Deus de salvar homens e mulheres. Ela descreve Deus como mais do que um arquiteto cósmico distante, ou um titio celestial onipresente, ou uma força de vida impessoal. Deus é mais que qualquer deidade inferior substituta que habita as mentes do século XX. Ele é o Deus vivo, presente, ativo em toda parte, “glorificado em santidade, terrível em louvores, operando maravilhas” (Êx 15.11). Ele dá a si mesmo um nome – Yahweh (Jeová [Senhor]; veja Êx 3.14,15; 6.2,3), o qual seja traduzido por “Eu sou o que sou”, ou “Eu serei o que serei” (o hebraico significa ambas as coisas), é uma proclamação de sua auto-existência e auto-suficiência, sua onipotência e sua liberdade ilimitada de agir.

Este mundo é de Deus; Ele o fez e Ele o controla. Ele “faz todas as coisas, segundo o conselho de sua vontade” (Ef 1.11). Seu conhecimento e domínio estendem-se às menores coisas: “E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados” (Mt 10.30). “O Senhor reina” – os salmistas fazem desta verdade imutável o começo de seus louvores, repetidas vezes (veja Sl 93.1; 96.10; 97.1; 99.1). Embora assolem forças hostis e ameace o caos, Deus é rei. Por conseguinte, seu povo está a salvo (Texto extraído da obra “PACKER, J. I. O Plano de Deus Para Você. Rio de Janeiro, CPAD, pp.22,23).

quinta-feira, 4 de abril de 2013

FAMÍLIA,CRIAÇÃO DE DEUS - LIÇÃO 1- 2º TRIMESTRE 2013


I – A família no plano divino
II – A queda e as suas consequências para a família
III – A constituição familiar ao longo dos séculos

CONCLUSÃO

ANÁLISE SÓCIO-HISTÓRICA DA FAMÍLIA

Por

Esdras Costa Bentho

1. Família, Projeto Divino

Na sociedade hebraica a família era o âmago da estrutura social. Na Tanach, exclusivamente em Berê’shîth (Gênesis), encontramos o princípio judaico-cristão da família no texto que diz: “E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele.

Então, o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam” (Gn 2.18,21-25).

Segundo o filósofo Lévi-Strauss, o princípio da família é dado pelo texto da Escritura que diz: “deixará o varão o seu pai e a sua mãe”, regra infrangível ditada a toda a sociedade para que possa estabelecer-se e durar.

•    Família, Centro da Comunhão.

Deus é quem decidiu criar a família. Esta foi formada para ser um centro de comunhão e cooperação entre os cônjuges. Um núcleo por meio do qual as bênçãos divinas fluiriam e se espalhariam sobre a terra (Gn 1.28).

Não era parte do projeto célico que o homem vivesse só, sem ninguém ao seu lado para compartilhar tudo o que era e tudo o que recebeu da parte de Deus.

O homem sente-se pessoa não apenas pelo que é, mas também quando vê o seu reflexo no outro que lhe é semelhante. Portanto, a sentença divina ecoada nos umbrais eternos expressa o amor e o cuidado celeste para com a vida afetiva do homem. Para Deus, “não é bom que o homem esteja só”. O verbo estar, no presente do subjuntivo (esteja), tradução do hebraico hayâ, expressa um estado circunstancial e transitório do ser. A solidão é um agravo à saúde psicofísica da criatura humana e, por mais esta razão, Deus não deixaria a criatura feita à sua imagem sem um semelhante para comungar. 

O próprio Deus não estava solitário na eternidade, mas partilhava de incomensurável comunhão com o Filho e o Santo Espírito. Deus é um ser pessoal e sociável às suas criaturas morais. No entanto, contrapondo a natureza divina à humana, concluímos que o intrínseco relacionamento entre a divindade e o ente humano dá-se em níveis transcendentais, metafísicos.

Por conseguinte, faltava ao homem alguém que lhe fosse semelhante, ossos dos seus ossos, carne de sua carne, alguém que se chamasse “varoa” porquanto do “varão” foi formada. Essa correspondência não foi encontrada nos seres irracionais criados, mas na criatura tomada de sua própria carne e essência. A mulher era ao homem o vis-à-vis de sua existência. Seu reflexo. Partida e chegada. Como sabiamente afirmou Derek Kidner, “a mulher é apresentada integralmente como sua associada e sua réplica”. Nisto, inferimos que a comunhão entre os cônjuges envolve a plena identificação com o outro. Deus se identifica com o homem, e este, com Deus, pela imagem divina que no homem está. O homem e a mulher se identificam mutuamente por compartilharem da mesmíssima imagem divina: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn 1.27). 

Homem e mulher, portanto, fazem parte do mesmo projeto celífluo.

Sentem-se tão necessários à existência do outro quanto dependem individualmente do ar que respiram. Esta interdependência é inerente à formação moral e espiritual do próprio ser. Faz parte do mistério, da teia de encontros e desencontros, de fluxo e refluxo que cercam a união entre homem e mulher. A união conjugal, portanto, antes de ser um contrato jurídico, era um ato de amor, companheirismo e cumplicidade em que as principais necessidades humanas eram plenamente satisfeitas. Homem e mulher se auto-realizavam um no outro. Para o sábio era mais fácil entender o caminho da cobra na rocha; o do navio no meio do mar, ou, ainda, da águia no céu do que o “encontro” de um homem com uma mulher (Pv 30.18,19). O espanto do sábio só se compara ao de Ismene à Antígona ao dizer: “De fogo é o teu coração em atos que gelam”. 

•    A Constituição do Núcleo Familiar.

A constituição do núcleo familiar a priori foi composta por um homem e uma mulher. Mais tarde, acrescentou-se ao casal os filhos gerados dessa união. A partir do nascimento dos primeiros filhos, a família tornou-se o primeiro sistema social no qual o ser humano é inserido.

A primeira família, formada apenas por duas pessoas, tornou-se numerosa por meio dos filhos que, ao serem gerados, se inseriram ao núcleo familiar assumindo diversos papéis dentro do sistema: filho, irmão, neto, primo, etc. A família não foi criada, portanto, como um sistema fechado, mas dinâmico, e, com o passar do tempo, o número de seus membros foi aumentando gradativamente, e destes formando novos núcleos familiares ligados por consanguinidade e afinidade. Para mencionar mais uma vez Lévi-Strauss, este considerava que o grupo familiar tem sua origem no casamento. Este núcleo é constituído pelo marido, pela mulher e pelos filhos nascidos dessa união, bem como por parentes afins aglutinados a esse núcleo.

No contexto desse sistema familiar, cada membro do grupo passa por uma série de funções ou papéis sociais determinados tanto por fatores exógenos, que estão ligados aos cenários sociais próximos a ele, como por endógenos, ligados a idade, sexo e maturação psicológica. 

Embora óbvio e redundante, creio ser necessário registrar que a família é o primeiro sistema social mais significativo e importante para os primeiros anos de vida de qualquer indivíduo. Consequentemente, a primeira experiência relevante de qualquer pessoa, exceptis excipiendis, manifesta-se positiva ou negativamente no sistema familiar. No entanto, é sabido que a família não é a única instituição responsável pelo crescimento cognitivo, afetivo, religioso e social do indivíduo, mas, como afirma Bronfenbrenner:

O mundo exterior tem um impacto considerável desde o momento em que a criança começa a relacionar-se com as pessoas, grupos e instituições, cada uma das quais lhe impõe suas perspectivas, contribuindo, assim, para a formação de seus valores, de suas habilidades e de seus hábitos de conduta.

Esta explicação serve-nos de esteio para a constatação da importância que a instituição familiar e das muitas outras vigentes em Israel no tempo do Antigo Testamento – civil, militar e religiosa – tinham para a formação de um Estado teocrático. Todos se pautavam em um único livro, procedente da vontade do Único e Eterno Deus de Israel (cf. Nm 15.15,16,29). 

Texto extraído da obra “A Família no Antigo Testamento: História e Sociologia”, editada pela CPAD. Veja mais em http://altairgermano.com.br/portfolio_1349969562/familia-criacao-de-deus/

EU E JESUS - LIÇÃO 1 - 2º TRIMESTRE 2013


Texto Bíblico: Jo 15.13-16; 14.15; 15.7



Saiba quem são seus verdadeiros amigos

Querido amigo,

Você sabe o que significa ser um “verdadeiro” amigo? Certamente existem todos os tipos de amigos no mundo, e todos são necessários e importantes à sua maneira. Mas, durante sua vida, você descobrirá que alguns não são tão dependentes como outros. Alguns irão precisar de muito amor e aceitação, mas nem sempre lhe darão o mesmo em troca. E tudo bem, desde que você não espere sempre que todos o amem de volta.

Mas “verdadeiros” amigos são algo especial. São muito preciosos porque são poucos; esses estarão a seu lado em todos os momentos difíceis e sempre acreditarão no seu melhor. Eu o estimulo a cuidadosamente procurar esse tipo de amizade e ser o mais dependente possível desses amigos como eles são de você. Essas amizades duradouras são aquelas que devem ser cuidadas com carinho e protegidas.

Com todo meu amor,

Seu melhor Amigo

“E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos à caridade e às boas obras, não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia”.
Hebreus 10.24,25

Texto extraído da obra “Carta de Deus para Jovens”, editada pela CPAD.


sábado, 26 de janeiro de 2013

ELIAS E OS FALSOS PROFETAS DE BAAL - LIÇÃO 4 JOVENS E ADULTOS 2013



INTRODUÇÃO

I. CONFRONTANDO OS FALSOS DEUSES
II. CONFRONTANDO OS FALSOS PROFETAS
III. CONFRONTANDO A FALSA ADORAÇÃO
IV. CONFRONTANDO O SINCRETISMO RELIGIOSO ESTATAL

CONCLUSÃO
OS FALSOS PROFETAS, QUEM SÃO?

Por
José Gonçalves

Na revista: O que Deus requer de Nós, publicação das Testemunhas de Jeová, na lição de número 13, existe a pergunta: “Como você pode encontrar a religião verdadeira?” Ela mesma responde em seguida: “A Bíblia predisse que, após a morte dos apóstolos, aos poucos se introduziriam na congregação cristã ensinos errados e práticas não-cristãs. Homens desviaram crentes para seguir a eles, em vez de Cristo (...) Esse é o motivo de vermos tantas religiões diferentes que afirma ser cristã. Como podemos identificar os verdadeiros cristãos?”(p.26).

Esta pergunta já fora feita de outra forma no livro Raciocínios à Base das Escrituras, onde se lê: “Como podem ser identificados os verdadeiros profetas e os falsos” (p. 158, edição de 1985). Em seguida o mesmo livro mostra como isso é possível, fornecendo as regras.

1.    Os verdadeiros profetas tornam conhecida a sua fé em Jesus, mas se requer deles mais do que professarem o nome dele. 

2.    Os verdadeiros profetas falam em nome de Deus, mas não basta meramente afirmar estar representando a ele. 

3.    A capacidade de realizar ‘grandes sinais’ ou ‘milagres’, não é forçosamente prova de profeta verdadeiro.

4.    O que os profetas verdadeiros predizem acontecem, mas podem não entender exatamente quando e como sucederá.

5.    As declarações de um profeta verdadeiro promovem a adoração verdadeira e se harmoniza com a vontade revelada de Deus.

6.    Os verdadeiros e os falsos profetas podem ser reconhecidos pelos seus frutos conforme manifestos em sua vida e na vida dos que o seguem (p. 158).

Gostaria que o leitor observasse comigo o item de nº 4: “o que os profetas verdadeiros predizem acontece”. O problema é que as Testemunhas de Jeová já predisseram e não se cumpriu. É interessante observar ainda, que o livro citado omitiu a principal passagem bíblica que confirma isso. Vejamos como essa passagem bíblica aparece em Deuteronômio 18.21,22:

        Se disseres no teu coração: Como conheceremos a palavra que o Senhor não falou? Quando o tal profeta falar, em nome do Senhor, e tal palavra se não cumprir nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou o tal profeta: não tenhas temor dele.

Não há o que interpretar: se um profeta falar e não se cumprir, então ele é um falso profeta [...].

Texto extraído da obra “Defendendo o verdadeiro Evangelho”, editada pela CPAD.



PRESERVE O VERDE, AME O PRÓXIMO - LIÇÃO 4 JUVENIS 2013




Texto Bíblico: Gênesis 1.1-26; 2.15



Na carta ao Romanos o apóstolo Paulo escreveu: ”Porque toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora” (Rm 8.22). Se esta escritura tivesse feito parte do discurso de algum ecológico moderno, não estranharíamos, mas ela foi escrita no primeiro século da era cristã.

Naquele tempo, o autor não tinha a menor ideia de que esta escritura poderia significar tanto em nossos tempos de terceiro milênio. A inspiração do Espírito Santo ao apóstolo Paulo vislumbrava o presente e o futuro no sentido espiritual. Porém, quando ele fala do gemido da criação, incluía tanto a natureza animada como a inanimada. Aponta para o fator causador desse gemido no versículo 20 do mesmo capítulo, quando diz que “a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou”. Vaidade de que e de quem? A expressão refere-se, de fato, “à vaidade daquele que a sujeitou”.

Quem sujeitou a criação ao desequilíbrio ecológico, se não o inimigo principal do Criador, o Diabo, com sua vaidade e egoísmo? Ora, sabemos que a criação inanimada não tem vontade própria, senão pela vontade de Deus. Deus condenou Satanás por ter sido o agente que induziu Adão e Eva a desobedecerem a Deus. Por esse modo entende-se que a criação tornou-se cúmplice dos pecados e da desgraça que operam no mundo. A criação tornou-se sujeita “ao sofrimento e às catástrofes físicas” (Bíblia de Estudo Pentecostal). O texto diz que a “criação ficou sujeita à vaidade” e isso significa que toda a criação, animada e a inanimada, foi submetida a “um estado de futilidade deplorável”, como escreveu Matthew Henry. Com consciência aguçada acerca do “gemido da terra”, a Igreja de Cristo tem um papel restaurador e mantenedor dos poderes vitais que dão sustentação à vida na terra. Quando Deus criou o homem, o criou com poder de governar e administrar a vida na terra de forma a manter e preservar os seus valores vitais (Gn 1.28). 

Texto extraído do livro “Mordomia Cristã”, editado pela CPAD. 

ORIGEM DA ESCOLA DOMINICAL

Os missionários escoceses Robert (1809/1888) e Sara Kalley (1825/1907) são considerados os fundadores da Escola Dominical no Brasil. Em 19 de agosto de 1855, na cidade imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro, eles dirigiram a primeira Escola Dominical em terras brasileiras. Sua audiência não era grande; apenas cinco crianças assistiram àquela aula. Mas foi suficiente para que seu trabalho florecesse e alcançasse os lugares mais retirados de nosso país. Essa mesma Escola Dominical deu origem à Igreja Congregacional no Brasil.

Hoje, no local onde funcionou a primeira Escola Dominical do Brasil, acha-se instalado um colégio (Colégio Opção, R. Casemiro de Abreu – segundo informações da Igreja Congregacional de Petrópolis). Mas ainda é possível ver o memorial que registra este tão singular momento do ensino da Palavra de Deus em nossa terra.

Houve, sim, reuniões de Escola Dominical antes de 1855, no Rio de Janeiro, porém, em caráter interno e no idioma inglês, entre os membros da comunidade americana.

Fonte:ensinodominical.wordpress.com